E tento voltar a publicar algo aqui. Valho-me, para tanto, de um poeminha (na verdade, mais uma tentativa caótica de desabafo no papel) escrito sob as luzes vermelhas da Whiskeria Berlim na melancólica sexta-feira 20 de maio, em uma noite contraditória.
Ode à Navegadora
... e, novamente, ao sul...
... não mais de nenhum norte, mas de
um norte que parece distante demais...
– dividido – por um lado, não querer
lutar
– não ter forças para lutar
– por outro, não conseguir deixar de
lutar
por aquilo que prometia
– promete ainda –
ser o que é
o inefável
o numinoso
... mas o perigo é ser feito de númen
porque do nume ao nêmesis,
sei bem,
o salto é curto
– por isso, dividido –
– e, por saber bem
do caráter fugidio do númen,
...
... dividido e endividado
comigo, com Ele, com Ela
... meu tema épico, minha expedição
... mas tudo é processo...
há objetivos, não se engane!
(i want to be the bluebird singing
singing to the roses in her yard)
... mas é processo, é pedra, é sol
... é bússola quebrada...
– sol e metal – difícil pensar
em como o Exílio
(um bastante específico,
o exílio dela, da terra prometida)
vira Reino ––
mas é mesmo preciso
imaginar Sísifo feliz!
(there ain’t no bluebird
that ever gets too heavy to sing)
–– e rola a pedra ––
–– navega a dor ––
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