Arquivo do mês: julho 2011

Repost de inverno

Inspirado pelos eventos invernais, reposto um “clássico” de baixa qualidade com alterações pontuais. Trata-se de poeminha imaturo – quase pueril –, (mal) escrito no inverno de 2005 (precisamente, no dia 6 de julho), em contexto de impossibilidades muito parecido com o vivido atualmente. Transparece claramente minha perene dificuldade com rimas e métrica. Mas segue:
Rio polar

É chegado o tempo
A hora da colheita
E no inverno enfrento
Cada escolha feita

E todos os livros
só têm paliativos
E nada de desejos
Queria os teus beijos

Tudo o que colho
tem o gosto do sal
que me escorre do olho
Sempre como um fractal

E como sinto frio
Batendo meu queixo
às margens do rio
Querendo teus beijos

Mergulho de ponta
Sem ti não dei conta
Quero quebrar o gelo
Pensar não é derretê-lo

Pois todos os livros
só têm paliativos
E nunca desejos
Quero mesmo é teus beijos

Blue Monday

Trata-se, aqui, de algo que escrevi no dia 25 de junho, numa noite de sábado, inspirado por ausências. O contexto ruim justificava a produção de algo tão desagradado. Demorei para postá-lo e, após um fim de semana que foi do céu inesperado ao inferno mais do que antecipado, este poeminha vem a calhar nesta segunda-feira de cinzas.
Eclipse em Dó

E o Sol se vai
     ... algo o cobre
         não sei se a noite
                 pois a noite sempre passa
     ... algo o impede de ser visto
     – escuridão profunda –

Daqui de baixo,
     não se ouvem mais os sons
        férteis da primavera
      ... subitamente chega
               um inferno gelado,
                  desumano

... nada de Sol
     – cadê mesmo o Sol? –
     – procura na clave –
         ... não se pode vê-lo
             não se pode ouvi-lo
             não neste enclave

... só se ouve Dó
    de quem não vê
          – mas como?
             em meio a tanta escuridão? –
    o devir

... requer-se tempo
    para que se acostume a ver
    – mesmo em meio
       a tanta escuridão –
            que há devir
            que há Sol

... mas o frio é intenso
    faz parecer que o tempo congela,
       não passa
    – não passa, não –
             e, pior, anda de Ré

... e, em meio a tanto "se",
    exilamo-nos na escuridão
    – cada um por Si –
    – cada um preso em Si –
              ... sem saída
                  sem devir

... enquanto só há nuvens
    e se encobre o Sol
          ... há só esterilidade
              e solipsismo

É necessário desencobrir
                    chover
                    fertilizar
    ... para mudar de tom